Murilo Rocha e Suellen Ambrosio
A crônica é, primordialmente, um texto escrito para ser publicado no jornal. Este, como se sabe, é um veículo de informação diário e, portanto, veicula textos efêmeros. Um texto publicado no jornal de ontem dificilmente receberá atenção por parte dos leitores hoje.
O mesmo tende a acontecer com a crônica. O fato de ser publicada no jornal já lhe determina vida curta, pois à crônica de hoje seguem-se muitas outras nas próximas edições.
Há semelhanças entre a crônica e o texto exclusivamente informativo. Assim como o repórter, o cronista se alimenta dos acontecimentos diários, que constituem a base da crônica.
Entretanto, há elementos que distinguem um texto do outro. Após cercar-se desses acontecimentos diários, o cronista dá-lhes um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como ficção, fantasia e criticismo, elementos que o texto essencialmente informativo não contém.
Com base nisso, pode-se dizer que a crônica situa-se entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia.
A crônica, na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor. Isso faz com que a crônica apresente uma visão totalmente pessoal de um determinado assunto: a visão do cronista.
Ao desenvolver seu estilo e ao selecionar as palavras que utiliza em seu texto, o cronista está transmitindo ao leitor a sua visão de mundo. Ele está, na verdade, expondo a sua forma pessoal de compreender os acontecimentos que o cercam.
Geralmente, as crônicas apresentam linguagem simples, espontânea, situada entre a linguagem oral e a literária. Isso contribui também para que o leitor se identifique com o cronista, que acaba se tornando o porta-voz daquele que lê.
Site: http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/cronicas/caracteristicas.htm
Tipos de Crônica
Crônica Descritiva: Ocorre quando uma crônica explora a caracterização de seres animados e inanimados num espaço, viva como uma pintura, precisa como uma fotografia ou dinâmica como um filme publicado.
Crônica Narrativa: Tem por eixo uma história, o que a aproxima do conto. Pode ser narrado tanto na 1ª quanto na 3ª pessoa do singular. Texto lírico (poético, mesmo em prosa). Comprometido com fatos cotidianos ("banais", comuns).
Crônica Dissertativa: Opinião explícita, com argumentos mais "sentimentalistas" do que "racionais" (em vez de "segundo o IBGE a mortalidade infantil aumenta no Brasil", seria "vejo mais uma vez esses pequenos seres não alimentarem sequer o corpo"). Exposto tanto na 1ª pessoa do singular quanto na do plural.
Crônica Narrativo-Descritiva: É quando uma crônica explora a caracterização de seres, descrevendo-os. E, ao mesmo tempo mostra fatos cotidianos ("banais", comuns) no qual pode ser narrado em 1ª ou na 3ª pessoa do singular.
Crônica Humorística: Apresenta uma visão irônica ou cômica dos fatos.
Crônica Lírica: Linguagem poética e metafórica. Expressa o estado do espírito, as emoções do cronista diante de um fato.
Crônica Poética: Apresenta versos poéticos em forma de crônica.
Crônica Reflexiva: Reflexões filosóficas sobre vários assuntos. Apresenta uma reflexão de alcance mais geral a partir de um fato particular.
Crônica Jornalística: Apresentação de aspectos particulares de noticias ou fatos. Pode ser policial, esportiva ou política.
Crônica Histórica: Baseada em facto reais, ou aspectos históricos.
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080510164023AAlfQXG
O ENSINO DE LITERATURA BRASILEIRA ATRAVÉS DA CRÔNICA LITERÁRIA
Benedita Aguiar Ferreira*
*Mestranda em Ciências das Religiões
RESUMO:
Nossa proposta, neste trabalho é mostrar como desenvolver o hábito da leitura e da escrita em nossos alunos, numa perspectiva de apropriação da cultura, por meio da leitura criativa, visando à formação de um ser humano competente crítico e transformador. A leitura das crônicas literárias, sua compreensão e interpretação.
Palavras-chave: Leitura. Produção textual. Crônica literária.
INTRODUÇAO
Quando se deseja desenvolver o hábito da leitura nos alunos, seja do Ensino Fundamental ou Médio, deve-se primeiramente avaliar qual é o papel da escola, diante do ensino da leitura. Portanto, faz-se necessário uma diferenciação básica entre: Literatura e Leitura.
Neste sentido “Leitura” pode significar a alfabetização, ou aprender a ler e escrever podendo adquirir o caráter formal de aprendizagem e não a idéia de interpretação e de compreensão de um texto literário, deixando uma lacuna a ser preenchida pela produção textual.
Segundo Ingedore koch: “Para se compreender a leitura e a produção textual, devemos partir do texto como interação entre os sujeitos sociais, os quais, dialogicamente, nele se constitue e são constituídos e que, por meio de ações lingüísticas e sociolingüística, constroem objetos de discursos e propostas de sentido, ao operarem escolhas significativas entre as múltiplas formas de organização textual e as diversa possibilidades de seleção lexical que a língua lhes oferece.” (p 52,2007)
Focalizando o ato de ler, como construção do pensamento lógico para viabilizar a argumentação e a capacidade do aluno de construir suas relações diante do mundo que o cerca. Ao propor o desenvolvimento do hábito da leitura e escrita de crônicas em sala de aula, fazendo uso funcional das linguagens verbal e extraverbal como instrumento de comunicação e de apropriação da cultura, por meio da leitura criativa, com autonomia de compreensão, visando a formação de um ser humano expressivo, criativo, competente, crítico e transformador.
Todavia, é importante enfatizar a parceria do educador como facilitador na produção dos textos por parte dos alunos, através do estudo e da criação de crônicas, os quais, possibilitará desenvolver habilidades cognitivas, sociais, buscando a recriação intelectual, crítica e reflexiva dos problemas sociais.
Despertar nos alunos o prazer pela leitura, reconhecendo por meio da crônica Literária as manifestações de compreensão e interpretação do ser humano e de sua realidade, oferecendo a oportunidade de serem cronistas, fazendo-os lerem todos os dias uma crônica e a partir de então criar sua própria crônica, proporcionando competências na escrita.
O que nossos alunos gostam de ler? Sobre o que gostam de escrever? É importante partir do interesse de cada aluno, fazer a apresentação de diversos livros e textos, artigos de revistas, recortes de jornais, textos didáticos, e perceber qual tipo de leitura eles se identificaram mais, respeitando as particularidades de faixa etária. Podemos nos questionar então: Como iniciar o trabalho com a leitura e a produção do gênero crônica?
Um dos primeiros passos para formar leitores e escritores é oferecer livros e materiais que estejam próximos de sua realidade, que levantem questões significativas em suas vidas. Comecemos pela Literatura, que é muito rica em obras que atendem os mais diversos gostos e idades.
1. TEORIA DA CRÔNICA
Sabemos que a crônica retrata a alma de seu tempo. Daí seu nome crônica, oriundo do grego krónos, que significa tempo, lembra cronômetro, cronologia.
A história da nossa literatura se inicia, com a circunstancia de um descobrimento, oficialmente, a Literatura Brasileira nasceu da crônica, é o que nos relata a carta de Pero Vaz de Caminha a el-rei D. Manuel, relatando pela primeira vez, a paisagem brasileira através do entusiasmo de um cronista. Caminha estabeleceu o principio básico da crônica: registrar o circunstancial.
Sendo a crônica uma soma de Jornalismo e Literatura, daí a imagem de narrador repórter que o cronista assume ao escrever para um jornal, e só depois, é que irá ou não integrar uma coletânea, geralmente organizada pelo próprio autor. Assim, quem narra uma crônica é o seu autor mesmo, e tudo o que ele diz parece ter acontecido de fato, como se nós, leitores, estivéssemos diante de uma reportagem.
A crônica, a partir do século XIX, com o advento da literatura jornalística, quando muitos escritores, como Joaquim Manuel de Macedo e Machado de Assis, encontravam no jornal a única oportunidade de mostrar suas criações. Esses cronistas que a todo tempo relatavam noticias e brincavam com a ficção, alternavam-se entre a linguagem mais informativa e literária, foram os grandes responsáveis pelo surgimento da crônica.
A questão é despertá-los para serem cronistas, isto implica o conhecimento prévio do que é literatura, conhecer os vários escritores brasileiros e principalmente aqueles que escrevem crônicas, como Machado de Assis, Raquel de Queirós, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Carlos Heitor Cony, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, entre outros.
Ao explorar a função poética da linguagem, bem como o silêncio em que se escondem as verdadeiras significações daquilo que foi verbalizado, o cronista tem a liberdade para desenvolver o seu tema, explorando as potencialidades da língua, buscando uma construção frasal que provoque várias significações, cumprindo a função primordial de transmitir aquilo que o publico leitor que ler, tornando-o um texto literário, pois a crônica é literatura.
As faces da crônica são tantas, isto depende das diferentes origens, dos fatos que estimularam os cronistas a escrever, de fato a crônica surge primeiro no jornal, herdando a sua precariedade, esse seu lado efêmero de quem nasce no começo de uma leitura e morre antes que se acabe o dia, no instante em que o leitor transforma as paginas em papel de embrulho, ou guarda os recortes que mais lhe interessam num arquivo pessoal.
2. PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS
É importante salientar que a leitura feita em roda, com os alunos, contribuir para que eles criem o hábito de ler e de trocar experiências. Assim, começa-se a despertar o interesse pela criação de crônicas, através de filmes, músicas, e dos livros de crônicas da coleção “Para Gostar de Ler”.
O mundo da leitura e da escrita muitas vezes para os jovens é um grande problema. Os professores os obrigam a lerem obras clássicas; preocupados em prepara-los para o vestibular e esquecem de trabalhar um gênero simples como a crônica. Sabemos que não há formulas prontas para escrever crônicas, mas é importante partir de registros básicos de seu cotidiano, de suas emoções e sensações.
O professor através da reflexão e de suas experiências como leitor e escritor, poderá tornar-los cronistas, desencadeando, assim, o doce desejo de escrever a partir de sua vivência. Como o tempo não pára, a cada novo amanhecer, uma nova crônica para despertar o leitor com uma leitura nova e atual, aguçando a sensibilidade de quem ler por prazer e não por obrigação.
Nesta perspectiva nossos alunos podem descobrir que também eles podem ser cronistas diários no jornal da escola, tornando-os escritores de suas próprias crônicas, assumindo o papel de cronista, tornando-se um leitor crítico-social.
Podemos citar como uma das primeiras etapas do processo é o conhecimento dos cronistas como Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Raquel de Queiroz.
2. ANÁLISE DE CRÔNICA:
Sabem, gosto muito do fantástico. É um programa espetacular! Toda domingo a família se reúne para assistir ao Fantástico. Como tudo é muito fantástica, a gente acaba acreditando que é tudo verdade mesmo.
Imaginem vocês, que por um momento pensei não acreditar, mas aquela noticia me deixou muito triste, e pensar que todas as pessoas são filhas de Deus, criadas para ser feliz e fazer o outro feliz. Como pode um pai jogar sua filha do sexto andar, pensando que ela estava morta. Como pode uma pessoa não saber quando outra já não tem mais vida, não é possível que não fez nada para perceber os sinais vitais daquela pobre e indefesa criança, tão linda, um anjo de Deus.
É até difícil acreditar, mas o Fantástico mostrou e me fez acreditar que, infelizmente, é possível alguém jogar fora com quem joga um pedaço de madeira que não serve pra nada, uma criancinha inocente.
Pois é, e toda essa visão, que só imaginamos acontecer em filmes de terror, aconteceu num domingo, no fim de um dia de descanso, descontração e lazer de tantas famílias, que como a minha assistiram ao Fantástico.
(Thales Silva, aluno 9º ano da Escola Municipal Cônego João de Deus, 2007)
A crônica do aluno o 9º ano, que se fez cronista, está refletida no cotidiano. É um texto comprometido com a realidade social, haja vista que ele parte de uma conversa com o leitor, abordando uma reportagem do programa Fantástico, de forma ligeira e atraente levando o leitor a refletir e a sensibilizar-se diante de uma tragédia familiar.
A língua é clara, direta e precisa, os verbos e os pronomes estão em 3ª pessoa, havendo predomínio da narração, assim como também da função referencial da linguagem. Podemos notar também que a linguagem é impessoal, clara, precisa, objetiva e direta de acordo com o padrão da língua culta. Havendo na crônica a utilização das três funções da linguagem – a referencial, a emotiva e a conativa.
O aluno ao organizar seu texto fez uso dos vários modos de organização do discurso. Iniciando uma narração a partir da rotina de muitas famílias brasileiras nos domingos, descrevendo a ação trágica do pai ao jogar a filha pela janela do 6º andar de seu prédio, argumenta sobre a falta de amor e a frieza dos seres humanos.
Na crônica em análise percebemos um gênero de classificação ambígua: ao relatar o domingo fantástico como fator de reunião da família, em seguida questionando o leitor sobre o seu ponto de vista, mostrando como desfecho daquele domingo uma tragédia. Misturando sensibilidade, com opinião, mostra a felicidade de uma família e depois a destruição de outra por um fato trágico.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O ensino de língua e literatura na sala de aula possibilitar refletir sobre a vida, a partir da vivência cotidiana dos alunos. Os temas podem ser variados e começar sempre com o debate, antes de começar a escritura de uma crônica. É importante a participação de todos os professores da escola. Possibilitando uma interdisciplinaridade, a partir de problemas concretos dos jovens como sexualidade, namoro, trabalho, drogas, violência, realidade brasileira, ética, moral, espiritualidade, e pluralidade cultural.
A leitura de mundo torna-se elemento facilitador para a melhor compreensão do mundo literário consultado pelo aluno, este por sua vez com o hábito contínuo e exercício da leitura tornar-se-á um escritor da vida.
Nesta interação percebemos que não há barreiras que não possam ser superadas, mas para vencê-las, é necessário compreender e assumir com verdadeiro amor a formação de novos cidadãos, leitores e escritores do mundo.
E ao trabalhar com projetos interdisciplinares, podemos afirmar com certeza que tanto educadores quanto educandos, envoltos numa pesquisa, não serão mais os mesmos, os resultados devem implicar em mais qualidade de vida, devem ser indicativos de cidadania, e de participação nas decisões da vida cotidiana e da vida social. Devem enfim, alimentar o sonho possível e a utopia necessária para uma nova lógica de vida.
REFERENCIAS
ALVES, Rubem. A alegria de ensinar. 4.ed. São Paulo: Ars Poética, 1994.
BENDER, Flora; LAURITO, Ilka. Crônica: História, Teoria e Prática. São Paulo: Scipione. 1993.
COLEÇÃO: ELENCO DE CRONISTAS MODERNOS por Carlos Drummond de Andrade [e outros]. 21ª edição. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.
KOCH, Ingedore. Villaça & Souza e Silva, Maria Cecília P. de. Lingüística aplicada ao Português: Sintaxe. São Paulo, Cortez, 2000. Revista Língua Portuguesa, ano II, número 23, p 52, 2007.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense (Coleção Primeiros Passos), 1982.
ORLANDI, Eni Pulcinelli. Discurso e Leitura. 4ª edição. São Paulo: Cortez, 1999.
PAULIUKONIS, Maria Aparecida Lino. GAVAZZI, Sigrid. Texto e Discurso: Mídia, Literatura e Ensino. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2003.
SÁ, Jorge de. A Crônica. São Paulo: Ática, 2001.
SERAFINI, Maria Teresa. Como escrever textos. 9ª ed. São Paulo: Globo, 1998.
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=O+ensino+de+literatura+brasileira+atrav%C3%A9s+da+cr%C3%B4nica+literaria+Benedita+Aguiar+Ferreira&meta=&aq=f&oq=
Trabalho Escolhido para Postar no Blog:
Voltando a Olhar o Mundo
Cinthia de Oliveira
Jaqueline E. de Paula
Wesley Reis
Quero voltar aos tempos de outrora, onde o “Dia das Crianças” era comemorado com alegria e meus sonhos não eram esquecidos como os brinquedos que me desinteressavam.
Lembro – me das historias, os contos de fadas antes de dormir, naqueles momentos chegava a pensar que seria um herói ou uma princesa.
Acordei num mundo estranho, cheio de incertezas e repleto de ódio nos olhos e nas ações das pessoas. E desse mundo, as vezes tento me esconder, mas ser adulto é muito mais difícil do que percebo e por trás dos contos de fadas que me faziam viajar, hoje viajo nas desigualdades sociais e me entristeço em ver que as crianças deixaram de ser apenas crianças a muito tempo.
Peço que nesses dias difíceis, que crianças não percam sua alma, não esqueçam que são puros e pureza só a crueldade dos homens que destrói , então cultivem a pureza dentro de vocês. Olhos puros, não se encham de lágrimas, pois as lágrimas que agora lavam meu rosto por lembranças, acalentam meu coração por saber que posso ajudar em algum lugar uma criança viver, crescer e jamais se esquecer de como é bom ser criança.


